23 de mai. de 2010

Laura - A vida é um gol

Foi estranho observar ela entrando sozinha no táxi carregando duas malas e um sorriso de lado a lado no rosto. Aqui de cima, eu abri toda a persiana da janela para que pudesse ver melhor seus gestos rápidos. Ela partiu rindo e abanando alegremente, com seu sorriso loirinho.

Poderia ser comum que um de nós – eu ou meu irmão – estivéssemos entrando naquele táxi com uma porção de bagagens indo para algum lugar desconhecido quando, normalmente, são os pais que abrem caminho para a vida dos filhos. Por isso, foi diferente ver minha mãe partindo sozinha, me fazendo perceber que também somos nós, os filhos, que abrimos caminho para vida de nossos pais.

Ela nos deixou responsáveis pela casa, pela nossa avó-criança, pelo gato, pelas roupas, pela limpeza, pela comida e por tudo o mais que aqui quem cuida é ela.

Quando saiu, seu doce perfume encheu a casa de calor e de saudade deixando um aroma de já volto.

22 de mai. de 2010

Como amar seu dragão?

Voltei a ficar sem tempo até quando tenho tempo. Então lá vai a dica:


Esse filme é muito bacana, pois é uma ficção muito interessante que trata da aproximação do homem com o animal, apesar de não se comparar a outras animações do gênero em questão de história e desenvolvimento dos acontecimentos. A relação do personagem principal, Soluço, e de seu “animal de estimação”, o dragão Banguela é lindíssima e começa como toda relação entre seres humanos e entre humanos e animais. Primeiro, um momento de estranhamento e até de desgosto, seguida de um carinho e depois de uma amizade e amor incondicionais. Lembra-me muito a relação que tenho com meu gato e é isso que mais me fascina.

Além de tudo, a trilha sonora é linda e as imagens excelentes.

Eu adorei.

15 de mai. de 2010

A melhor banda de todos os tempos da última semana

Clipe mais legal de todos do momento:
Telephone com Lady Gaga e Beyoncé

10 de mai. de 2010

8 de mai. de 2010

Tem uma mariposa no concreto

Entrei no ônibus. Vi no vidro da janela uma mariposa que se esforçava para encontrar a saída. Ela voava de um lado para outro, andava no vidro, mudava de janela, mas não conseguia sair. Pensei em pegá-la pelas asinhas e colocá-la para fora, mas queria ver até onde ela ia chegar e esperei. Durante esta espera, imaginei uma mariposa-humana e suas possíveis reações diante do desafio em que se encontrava. Mil possibilidades de ações e reflexões poderia ter essa mariposa-humana. Ela poderia ficar neurótica, achando que esse tipo de coisa só acontecia com ela, poderia estar claustrofóbica, ansiosa, tendo um ataque de pânico por não conseguir achar a saída, poderia estar rezando implorando um auxílio maior para sair dessa situação desesperadora, poderia estar pensando que ia conseguir sair desta situação mesmo que isso lhe custasse a vida – afinal quando foi que ela desistiu antes? Essa circunstância poderia criar um trauma na vida da mariposa, a resolução desta questão – qualquer que fosse ela – poderia causar-lhe uma significativa modificação no modo de encarar a vida, de relacionar-se com as pessoas, de ver o mundo. Afinal, que destino teria a mariposa se fosse ela humana?

*

Sendo ela uma mariposa, voou para a porta quando esta se abriu...

7 de mai. de 2010

Te cuida mamãe, por que as manias aparecem!!!

Mais uma reportagem inusitada da BBC:

"Exposição de fotos na Espanha usa humor para tratar da velhice


Uma exposição de fotos recém-inaugurada na Espanha retrata com humor as manias das mulheres com mais de 50 anos, como a de escolher a calcinha favorita para ir ao ginecologista. As ideias chegaram até o fotógrafo Héctor Barnabeu através de um grupo no Facebook. As modelos posaram voluntariamente e assumiram, por exemplo, que colocam um saco na cabeça para se proteger da chuva. A mostra 'Senhoras que...' reuniu mulheres de toda a Espanha para um total de 20 fotos. Em outra foto, elas satirizam a mania de se lamentar das doenças e tarefas domésticas com as amigas."

Muito legal a prática de satirizar a si mesmo, eu já faço isso desde os tempos mais remotos.

Só um ponto de discordância: velhice acima dos 50 anos? Isso é bem estranho, por que as mulheres de 50 que eu conheço de velhas não tem nada. E nem seuqer se parecem com essas senhoras. Acho que a velhice começa aos 70 e mesmo assim, não é um termo muito interessante, afinal o que é que fica velho? São as pessoas ou os tecidos?

A reportagem na integra com mais fotos: http://www.bbc.co.uk/portuguese/cultura/2010/05/100507_exposenhorasml.shtml

29 de abr. de 2010

Ver


"Porque você não pode voltar atrás no que vê.
Você pode se recusar a ver, o tempo que quiser:
até o fim da sua maldita vida, você pode recusar, sem necessidade de rever seus mitos ou movimentar-se de seu lugarzinho confortável.
Mas a partir do momento em que você vê, mesmo involuntariamente, você está perdido:
As coisas não voltarão a ser mais as mesmas e você próprio não será o mesmo."


Caio Fernando Abreu

27 de abr. de 2010

Desabrochando


Já é tempo de começar a fazer as pazes com o passado.



Primeiro eu vou me perdoar por ser o reflexo daquilo que desprezei:
insegura, sem confiança no outro e um pouco covarde.

24 de abr. de 2010

As mulheres de Avalon

Terminei a leitura do livro “As Brumas de Avalon”. É sempre bacana e triste terminar um livro, ainda mais como estes que abordam quase que a vida inteira dos personagens. Sempre que a história termina, parece que um ente querido se distanciou para viver a própria vida longe do outro. Não é como se ele estivesse morto, apenas distante e sua história ou momentos dela são sempre relembrados pelos espectadores que as acompanharam. Nesta obra, por duas mulheres nutri admiração e curiosidade e a uma detestei ao mesmo tempo em que a compreendi. Por várias razões, provavelmente, me assemelhe às três.

A senhora do destino

Igraine foi sacerdotisa de Avalon antes de ser entregue a um homem a quem não amava para que o destino de uma Corte que ainda nem existia se cumprisse. Casou-se com o Rei Gorlois muito nova e com ele teve uma filha: Morgana. Enquanto esteve ao lado deste homem, foi uma mulher forte que não se dobrava às falácias dos padres e nem mesmo a vontade do marido de transformá-la numa mulher que não era. Esta foi uma mulher que nasceu para que a partir dela se concretizasse um destino previsto por outros. Como devia ser, apaixonou-se por outro homem – Uther Pendragon - com ele se casou e teve o futuro rei: Arthur. Porém ao casar-se com o homem que tanto adorava abdicou de tudo mais ao seu redor, deixou Arthur aos cuidados da irmã mais velha, abandonou suas crenças e procurou seguir a fé que o mundo achava que seria melhor para ela. Igraine amou Uther até o fim de seus dias, como o marido também o fez por ela, e, no entanto, ficou em dívida com seus filhos e consigo no momento em que desamparou todos os amores para viver apenas um – aquele que mais lhe satisfazia.

A corajosa amante



Nimue – filha do grande guerreiro Lancelote com a jovem Elaine – antes de nascer já havia sido escolhida para ocupar um lugar em Avalon. Sempre fora uma menina diferente das outras, contrariando os padres e questionando tudo a sua volta. Ao chegar a Avalon foi treinada para ser sacerdotisa e mantida reclusa durante muitos anos para que ninguém, além das outras sacerdotisas, pudesse ver seu rosto. Ao crescer, já tinha uma missão que fora reservada a ela ainda quando criança: devia trazer de volta ao País das Fadas aquele que o havia traído – Kevin, o Bardo. Kevin era um majestoso harpista, além de Merlim da Bretanha. Era um homem muito inteligente que ao lado do Bispo Patrício tronou-se conselheiro do Rei Arthur, sua grande fragilidade estava na aparência física que possuía – um corpo deformado e rejeitado embaixo das lindas vestes. Nimue fora instruída quanto à maneira de atrair Kevin para perto de si, então foi a Corte e dia após dia lançou-lhe um encantamento com olhares, gestos e palavras. Contudo, este encantamento era perigoso, pois somente ocorreria se os dois estivessem conectados da mesma forma, se entre os dois houvesse paixão e desejo. Nimue cumpriu sua promessa a Terra das Fadas, levando o traidor para a morte e, no entanto, levando a si mesma para o mesmo caminho, pois não poderia desfazer nem a aliança com Avalon nem a aliança com seu amor. Nimue, também nascera para cumprir um destino e da mesma forma como Igraine, poderia tê-lo mudado e não o fez.


A frágil rainha

A linda esposa do Rei Arthur fora dada a ele como parte de um dote. A Rainha Gwenhwyfar sempre foi uma mulher medrosa e covarde, sempre permitiu que as palavras dos padres fizessem sua cabeça e lhe influenciassem as decisões. Sua fraqueza e sua beleza aproximaram dois destemidos cavaleiros, o Rei, seu esposo, e Lancelote, seu amante e melhor amigo do rei. Gwenhwyfar manteve-se durante toda vida em dúvida sobre o que era certo e errado, sobre o que era pecado ou não, sobre o que era amor e sobre quem a amava. Temia a magia de Morgana e, todavia, procurava-a em desespero quando precisava ter um filho, temia a própria Morgana e, contudo, sempre quis ser igual a ela. Como Rainha, apesar das perturbações que a fé lhe causava, sentia-se feliz por encontrar-se segura dentro das fortes paredes do castelo, por ter uma guarda armada para defender-lhe do mundo lá fora e por ter somente que preocupar-se com as futilidades femininas. Gwenhwyfar teve uma atitude corajosa na vida, a qual lhe foi decisória – podendo ficar ao lado de seu amor para sempre e ser afinal completamente feliz optou por colocar em primeiro lugar o que era importante para ele e não para ela. Preferiu que ele fosse metade feliz a que ela o fosse inteiramente.


Para mim, estas são as mulheres mais inspiradoras do livro. Um livro que é recheado de personagens complexos e interessantes, humanos... Simbolizei o meu modo de imaginá-las com as figuras ali em cima, não seria possível que elas fossem representadas tal como as imagino nem mesmo se eu as desenhasse de próprio punho, pois o registro nunca é igual ao pensamento.


Esta história tem muito de nós todas, de nós todos.
Descubram-na!

(Site de onde tirei as figurinhas: http://www.fainelloth.de/Fantasy.htm)

22 de abr. de 2010

Se está na memória, pertence a eternidade







Que incrível que é,
através de um instrumento,
fixar o pensamento.
Lauana Lemos

18 de abr. de 2010

Cantando com a alma



"Sim, é isso" é o que penso quando me arrepio diante de uma cena, música, frase, ação que me emociona ou sensibiliza de alguma forma...esse arrepio é uma comunicação da alma com o mundo e vice-versa. Restaura-se a conexão que há entre os dois, perdida nas corridas e racionais atividades diárias. Quando o corpo sente o mundo, é a alma que o está sentindo.

Com esse vídeo sempre me arrepio.

16 de abr. de 2010

Estamira

Gente, ando com o tempo curtinho, curtinho. Várias idéias ficam borbulhando na minha cabeça mas tenho que arquivá-las no intermediário temporariamente, já que o arquivo corrente está sendo muito utilizado - como se esperava dele. Eu não gosto de ficar muito tempo sem postar, então vou recorrer a uma velha prática que consisti em expor filmes, peças, músicas bacanas para que todos que frequentam o blog conheçam. Quando eu voltar a ser dona do tempo e não o tempo ser dono de mim, volto a criar, hoje vou só copiar a colar.


Este filme assisti durante um aula de Informação e Memória Social que é uma cadeira obrigatória ou eletiva no currículo das Ciências da Informação da UFRGS cuja caracterítica principal é fazer pensar, fazer agir.
Adoro este tipo de filme que se caracteriza por ser único, já assisti vários filmes únicos e, obviamente, nenhum era igual ao outro. Para quem aprecia o diferente, esta é uma boa escolha.


Estamira te faz olhar para ela como ser humano, como ser.


Site oficial: http://www.estamira.com.br

9 de abr. de 2010

Filme Koyaanisqatsi

O mundo que nós construímos está desmoronando com a chuva.


Koyaanisqatsi para os Hopi significa vida maluca, desintegrando, desequilibrada, um modo de ser que pede outra forma de vida.


Este filme faz parte da Trilogia Qtasi (Koyaanisqatsi, Powaqqatsi e Naqoyqatsi) do diretor Godfry Reggio e do musicista Philip Glass.


É inexplicável, fascinante, único.

3 de abr. de 2010

Outra reportagem bacana!




Essa reportagem e a anterior sairam do site da BBC Brasil, um site que comecei a ver a pouco tempo e estou achando muito bacana.

1 de abr. de 2010

Sorria!

Vi essa notícia no site do Terra e depois procurei mais a respeito em outros sites, todos diziam a mesma coisa e acabei por colocar também o vídeo, já que as palavras encontradas foram poucas. A notícia é bem interessante e a comemoração me pareceu, além de surpreendente, inovadora.


Moradores preparam o lançamento de 100 mil balões, em Istambul, para comemorar o dia 1º de abril

A famosa praça Taksim, na cidade turca de Istambul, ficou cor de rosa para marcar o dia 1º de Abril. Cem mil balões foram inflados por mais de 200 voluntários e soltos na praça.
Chamado de "Istambul está rindo", o evento foi organizado para lembrar as pessoas de sorrirem mais.
O evento fez sucesso com as crianças, que se divertiram competindo para ver quem conseguia estourar mais balões.




29 de mar. de 2010

As Brumas de Avalon

Estou lendo As Brumas de Avalon. Gente, que livro fantástico! Recomendo esta leitura a todos que gostam de ficção e de realidade, pois neste livro elas andam lado a lado. O que me deixa mais encantada nesta leitura é o evidente choque de culturas que há entre a crença na Deusa e a crença em Deus.

No livro, aqueles que acreditam na Deusa, afirmam que todos os Deuses são um só e que cada um tem direito de acreditar naquilo que quer. Porém os cristãos, afirmam que acreditar em um Deus que não seja o deles é pecado. Além disso, os cenários se contrapõem de tal forma que não há como não perceber a falta de sintonia que há entre as duas crenças. Enquanto os cristãos celebram suas comemorações com o bater dos sinos, com imagens sacras em altares reluzentes e com mulheres castas e submissas, as sacerdotisas e os crentes da antiga fé reúnem-se ao redor de fogueiras para celebrar Casamentos Sagrados, pintam seus corpos, cuidam da natureza e as mulheres possuem lugar sagrado em meio aos rituais e trabalhos diários.

Se eu tivesse que escolher um lado, obviamente estaria ao lado da Deusa. Desde criança o falatório interminável dos padres, as Igrejas tão lindas com as imagens inalcançáveis me cansavam. No entanto, nesta leitura é possível verificar extremismos de ambos os lados – não só as mulheres cristãs guardavam suas virgindades para entregá-las aos maridos escolhidos pelos pais, também as sacerdotisas só podiam entregar seus corpos aos escolhidos pela Deusa. Para mim, isto é absurdo demais – desde quando alguém que se diz o representante de Deus (seja ele qual for) deve dizer com que pessoas alguém deve ou não estar, deve ou não se casar? E desde quando Deus tem apenas um ser que fale para ele? Afinal, Deus está em tudo, está em todos.

Eu, definitivamente, me irrito quando começam longos diálogos sobre tudo ser pecado, sobre Cristo ser um Deus que castiga e sobre mulheres se mostrarem ousadas por expressarem suas opiniões uma ou duas vezes. Pois se assim ainda fosse teríamos que andar com chicotes nas mãos para nos açoitarmos a cada pensamento julgado por sei lá quem que não me conhece como corrupto (e pensar que há pessoas que fazem isso).

E, contudo todas as crenças se assemelham tanto. Há que se fazer jejuns longos e rezar muitos dias para se alcançar plenamente ao Deus. Isso me soa estranho, já que o meu Deus está ali fora nas árvores que avisto, nos pássaros que passam, na noite que chega mansinha e aqui dentro de minha casa junto dos meus familiares, nas paredes que construímos juntos – não tenho que passar por longos períodos de fome e cansaço para falar com meu Deus e qualquer um que tiver que passar por isso para estar junto do seu, me parecerá distante e desconectado de si. Aceito que existam outros Deuses e outras maneiras de se estar perto dele, entretanto, passar por provações físicas não me é aceitável, pois se assim fosse não haveria sentido em ser humano - ser humano para sentir dor física, me parece castigo e o meu Deus não castiga.

Em mim, essas questões foram as mais pulsantes até o momento. Estou na metade do livro dois e o devoro com voracidade. Algumas passagens do livro também me marcaram bastante até o momento, registrarei algumas aqui para compartilhar e atiçar a curiosidade de todos. Espero que busquem por esse livro e possamos refletir ainda mais sobre ele posteriormente.



“Consideram heresia pensar que os homens tem mais de uma vida, o que qualquer campônes sabe ser verdade (...). Mas sem acreditar em mais de uma vida, como evitar o desespero? Que Deus justo criaria homens desgraçados ao lado de outros felizes e prósperos, se todos tivessem apenas uma vida?”

“Pois vejo um destino para ele, em seu mundo – tentará fazer o bem, como a maioria do seu povo, mas só fará mal.”

“As lágrimas vertidas pelas mulheres não deixam marcas no mundo.”

“Vocês cristãos gostam muito da palavra impróprio.”

”Eles dizem: acreditem no que não viu, professe o que não sabe, há mais virtude nisso do que em acreditar no que viu.”

“É no momento da morte que o disfarce mortal de uma vida apenas desaparece.”

28 de mar. de 2010


A morte, como nós a conhecemos, não existe.

(essa imagem é de um artista cujo trabalho admiro: Jim Warren)

24 de mar. de 2010

Já pensou se Dom Pedro I tivesse que abrir uma conta?

Esta semana tive que abrir uma conta em um novo banco para receber o salário do novo estágio. Anteriormente nunca havia aberto uma conta em meu nome sozinha, então não sabia como era o processo. Fui muito bem atendida, mas para minha surpresa fiquei uma hora e trinta minutos verificando cópias, preenchendo cadastros, assinando papéis (dos quais nenhum ficou para mim para minha garantia). Assinaturas vem, assinaturas vão, lembrei da minha última aula de Direito Notarial em que o professor citou que Dom Pedro I tinha mais de dez nomes na constituição de seu nome completo e, imediatamente, pensei “imagina se Dom Pedro I tivesse que abrir uma conta aqui, ele ia ficar mais de duas horas só assinando os papéis!”

Em nível de curiosidade (tua e minha), o cara se chamava Pedro de Alcântara Francisco António João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon. Precisaria do espaço de três linhas inteiras para assinar esse nome, ainda mais naquele formato de antigamente, com capitais e demais letras bem desenhadas. Ou então, abreviando quase tudo: Pedro de A. F. A. J. C. X. de P. M. R. J. J. G. P. C. S. de B. e Bourbon. PedrodeAFAJCXdePMRJJGPCSdeBeBourbon. Que bom que o Pedro não tinha que abrir conta nenhuma, né?!

Acabei pensando nisso tudo por que me deparei com uma baita burocracia em um procedimento que deveria ser medianamente simples. O banco se enche de precauções, quando na verdade são eles os terríveis. Era só fazer o cadastro, a conta e pronto .E depois de tudo isso, ainda houve o obstáculo das senhas. Imagina se Dom Pedro I ia querer guardar ou anotar num bloquinho todas as senhas de que ele precisaria: uma para o cartão, outra para o de compras, outra para poupança, além das senhas de letras, mais as senhas não bancárias – Orkut, MSN, email, login do computador, do blog, do flog, para entrar no sistema do trabalho, para procurar processo no sistema, para entrar no site da universidade, para entrar no outro email etc etc etc – muito cansaço para um imperador só, acho que por isso, essas tecnologias vieram só depois. Imagina Dom Pedro com um bando de secretários, cada um responsável por uma destas áreas e suas respectivas senhas?! Como temos que lembrar pequenas coisas tão decisórias em nossas atribuladas e desenvolvidas vidas, cada dia uma senha nova e para cada uma esquecida; uma nova barreira que se cria...

Bom mesmo era ser imperador.

20 de mar. de 2010

A bailarina


Sou uma mistura heterogênea de Laura e Ana somadas à Caroline. Minha parte Ana é aparentemente e, muitas vezes, realmente muito frágil. Ana é só, amorosa, emotiva, triste, medrosa e sorridente quando me vê. Ana só sai de casa acompanhada, depende dos outros para fazer suas coisas, acomoda-se nas limitações que se impõe, teme a tudo e a todos. Ana sentiu-se mais sozinha após a morte de um ente querido e confortou-se na sua dor, não foi e não é triste, mas também não foi e não é feliz. Laura é forte, destemida, trabalhadora, guerreira. Ao mesmo tempo em que é boa é, muitas vezes, ingênua. Laura gosta de ajudar a todos e esquece-se de ajudar a si mesma. Laura gosta de estar bonita, compra-se roupas diferentes, gosta de estar cheirosa, gosta de usar acessórios. Laura é linda, adorável e querida. Laura e Ana tem muitas características em comum e muitas características em desacordo. Ambas são mães, no mais profundo significado desta palavra – mas cada uma a sua maneira. Ambas sentem-se muito sós, incompreendidas e, às vezes, não amadas. Já Caroline é uma menina doce, muito bem criada e educada para ser aquilo que um dia foi sua mãe: uma princesa. Caroline tem lindas roupas, acessórios modernos, pode viajar pelo mundo, mas conseguiria ela sair de seu castelo?

Eu poderia me chamar Ana Laura, Laurana, Laureana, mas me quiseram Lauana. Lauana Caroline. Meus dois nomes foram escolhidos por aquele que amo, mas detesto; por quem me assemelho e antipatizo. Desde meu nascimento, minha vida é uma via de mão dupla (ou seria tripla?) – automóveis passam nos dois sentidos, há prováveis semáforos dos dois lados e faixas de pedestres, os sinais vermelho, amarelo e verde funcionam perfeitamente e cada vez melhor com o passar dos anos. Nesta via, plantei árvores dos dois lados, pintei um lindo céu azul com nuvens de chuva e um sol brilhante, construí canteiros para as flores multicoloridas e coloquei pessoas para transitarem por ali. Desde meu nascimento venho aumentando esta via, conforme afirmo minhas escolhas.

Nesta via, a Laura está andando num caminho oposto ao que caminha a Ana. Caroline está sentadinha no meio da rua, usa uma saia de bailarina cor-de-rosa e observa as outras duas que se olham, se sorriem e seguem seus caminhos uma para cada lado.

E então, ela se pergunta: quem seria a Lauana Caroline Lemos Rita?

16 de mar. de 2010

FELIZ Aniversário!

Ontem foi meu aniversário e ao contrário de uma tradição de anos, eu não estava radiante e sorridente. No sábado e no domingo, dias em que fiz as comemorações com os amigos e parte da família, eu estava bem e feliz. Cantei, dancei, bebi, comi, conversei, sorri – como sempre foi. Mas no fim da noite de domingo fiquei estranhamente triste. No dia seguinte, data real de meu aniversário acordei chateada, aconteceram alguns eventos chatos e me aborreci. Como toda minha raiva e medo eu transformo em lágrimas, chorei. Chorei pela ausência de meu avô, chorei pela distância de meu pai e pela fase problemática pela qual passa metade da minha família. Não lastimei nada material, mas tudo emocional. E então, fiquei pensando como nós sempre nos obrigamos a sermos feliz nos nossos aniversários. Quando dá algo errado, rapidamente pensamos “logo no meu aniversário”, se fosse qualquer outro dia seria aceitável, mas no dia do aniversário, não. Tudo tem que ser bom. Eu me cobrei essa obrigatória felicidade durante o dia, tentei fazer coisas que me animassem, mas não importa quantas coisas eu tentasse ou felicitações carinhosas recebesse, não me animei. Pedi para que o dia acabasse logo e ele se foi com uma terrível dor de cabeça.

Nunca entendi as pessoas que não gostam de comemorar aniversário, por que para mim, é muito importante. Nossa, celebrar o dia em que eu vim ao mundo é fundamental, já que eu não sou só mais uma, eu faço alguma diferença. Porém, neste ano, tudo está acontecendo meio junto – minhas tias resolveram ter grandes problemas, minha avó piorou na saúde, meu avô faleceu – e eu resolvi sentir profundamente tudo isso (eu não simplesmente resolvi, eu sou assim). Não houve como não sentir e resolvi curtir a fossa.

Aniversário traz certas questões a tona, já que muitas pessoas que eu conheço tem medo ou receio de comemorar aniversário, por que acham que ninguém vai aparecer ou algo vai dar errado e, eu também sou assim. Acho que tudo isso está muito ligado a infância onde acontecem, frequentemente, decepções desse tipo. Os aniversariantes de janeiro e fevereiro sofrem com as férias – todos estão na praia – os de março com o início das aulas – não conhecem ninguém – e assim por diante. Cada um tem um trauma, o meu é não me sentir querida quando se esquecem de me felicitar ou de ir à festa – ninguém é obrigada a lembrar, mas ninguém é obrigada a esquecer – racionalmente, sei que as pessoas me amam felicitando ou não, mas emocionalmente eu preciso disso.

O dia 15 acabou, que bom! Hoje já me sinto bem melhor, o dia está lindo e eu quero comemorar a vida! E já espero pela chegada do próximo ano em que certamente as cobranças individuais e sociais virão acompanhadas, eu espero, de alegria.